
Ana Cláudia Streva
Creative Producer
A Nova Era de Gaia e os sonhos que valem a pena
Alguns projetos nascem de um planejamento estratégico. Outros nascem de uma inquietação profunda que carregamos ao longo da vida.
Alguns projetos nascem de um planejamento estratégico. Outros nascem de uma inquietação profunda que carregamos ao longo da vida.
Gislaine Rosa Cambraia, a Gisa, foi atrás do seu sonho. Queria tornar possível uma nova forma de convivência, produção e relação com a terra. Terra que era dela, que antes foi do pai dela. Uma terra historicamente explorada pelo agro que ela desejava ver transformada e ressignificada.
Gisa entrou em contato com João Pacífico em busca de um parceiro disposto a transformar uma ideia aparentemente improvável em uma experiência concreta. Uma experiência capaz de transformar de 1.500
hectares de terra em algo novo. 
João aceitou o desafio e convidou o MST, seu parceiro de longa data, para ajudar a colocar o projeto de pé.
A fazenda, localizada em Campo Belo, no coração de Minas Gerais, passaria a ser um espaço de produção coletiva e agrofloresta.
Esse é o tipo de coisa que faz nossos olhos brilharem.
A Gisa, o João, o MST. Todos juntos em busca de um território onde diferentes conhecimentos, trajetórias e visões de mundo pudessem se encontrar para criar novas possibilidades de futuro.
O João Pacífico resumiu essa história em um post de poucos minutos no Instagram.
Eu escrevi pra ele na hora. A NÓS precisava fazer parte desse filme. Eu precisava fazer parte desse filme. Alguém precisava contar essa história e espalhar essa ideia por aí.
O Rodrigo Cebrian, que já estava ao lado do João para contar essa história, me recebeu de braços abertos no projeto. Bora fazer juntos!
Vivemos cercados por narrativas que mostram resultados. Também vivemos cercados por ideias que tentam advinhar o que o mercado quer ouvir, o que um player vai comprar, o que parece mais fácil vender.
Mas, às vezes, aparece uma história que faz a gente esquecer tudo isso. Uma história que parece importante simplesmente porque existe.
Poucas vezes temos a oportunidade de acompanhar um percurso longo. E, nesse caso, existe algo que torna essa jornada ainda mais especial. 
Quando tudo começou a se concretizar, a dona da ideia, a Gisa, enfrentava um câncer terminal. Mesmo sabendo que talvez não estivesse aqui para ver os frutos daquele trabalho, ela seguiu adiante.
Deu tempo de tudo. Deu tempo de encontrar o João Pacífico. Deu tempo de estruturar o projeto. Deu tempo de formalizar a doação das terras. Deu tempo de criar o fundo que sustentaria essa visão. Tinha que acontecer.
Fomos todos para Campo Belo, pertinho de Lavras. 
Convidei o Edu Rajabally para se juntar à equipe de direção. Ele e o Rodrigo Cebrian formaram duas unidades de câmera com o propósito de começar a pensar como contaríamos essa história.
A partir daí, nossa equipe de documentaristas passou a acompanhar o desenvolvimento do projeto de forma contínua, registrando seus diferentes momentos, aprendizados, descobertas e transformações que iremos documentar ao longo dos próximos três anos.
Não se trata de um documentário tradicional, construído a partir de fatos já concluídos. Trata-se de uma observação de longo prazo. Um raro exercício de documentação de processo, no qual o tempo se torna um dos personagens centrais da narrativa.
Ainda não sabemos exatamente quais caminhos serão percorridos nem quais respostas surgirão dessa experiência. Mas os encontros que já aconteceram são surpreendentes.
As pessoas que estamos conhecendo já apontam para uma grande experiência. E talvez seja justamente essa a maior riqueza do projeto.
O Nova Era de Gaia não nasce para afirmar certezas.
Nasce para criar espaço para perguntas e para novas possibilidades de existir no futuro.
Perguntas sobre colaboração, pertencimento, cuidado, produção, sustentabilidade e sobre os modelos que desejamos construir para as próximas gerações.
Outro dia eu vi uma frase pixada que conversa muito com o propósito da NÓS.

Dizia assim: “Não é sobre você. É sobre nós!”
Esse projeto é sobre isso.